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Ouça a música dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

6.12.11

Disco do Mês: Eliakin Diz


O Disco do Mês de dezembro do Som do Norte é Eliakin Diz, quinto trabalho solo do poeta, cantor e compositor Eliakin Rufino, de Roraima. Os anteriores foram Amazônia Legal (1997), Me toca (1998), Eliakin em Porto Alegre ao vivo (2006) e Mestiço (2008). O disco já era anunciado numa entrevista do autor a Luiz Valério no começo de 2010. Saiba como adquirir o CD Eliakin Diz.

O lançamento coincide com um bom momento para Eliakin como compositor, sempre requisitado principalmente por cantoras do Norte. Entre o final de ano de 2011 e o início de 2012, três obras suas estarão em novos discos de intérpretes paraenses - "Ditados Impopulares" no CD Raiz, de Leila Pinheiro, "Pimenta com Sal" no CD Treme, de Gaby Amarantos (em dueto com Fernanda Takai) e "Todo Mundo Nasce Artista", no CD Trelelê, de Aíla.

Em Eliakin Diz, aprofunda-se a experiência de canto falado presente em Mestiço. Os poemas cantados remetem ao universo temático de Eliakin, com destaque para a afirmação da liberdade do indivíduo, a celebração do amor e a reflexão sobre a Amazônia. Em "A Voz do Brasil", cujo título remete ao programa de rádio oficial, observa que a voz calada no Brasil durante a ditadura segue presa: "falta soltar a garganta falta desatar os nós o Brasil precisa de verbo o Brasil precisa de voz". A última faixa do CD, "Cosmológicos", reúne três poemas ligados a temas ecológicos e indígenas: "Estrela de Prata", "Irmão do Universo" e "O Sonho do Xamã".

1 - Eu Não Escrevo Teses

2 - Vamos Mostrar a Língua

3 - A Palavra

4 - Má Companhia

5 - Amazonália

6 - Na Floresta Tudo pode Acontecer

7 - Que Caiam Todos os Raios

8 - A Voz do Brasil

9 - Canta pra te Libertar

10 - Bicho de Estimação

11 - Céu

12 - Cosmológicos



Ficha técnica

Todas as composições são de autoria de Eliakin Rufino (letra) e Ben Charles (música), exceto: "Na Floresta Tudo pode Acontecer", escrita em parceria com Odara Rufino.

Eliakin Rufino - voz
Ben Charles - guitarra, baixo, teclado, programação, arranjos, gravação, mixagem e masterização

Produzido por Ben Charles
no estúdio móvel La Toca Music
Boa Vista - Roraima - Brasil 2011

Fotografias por Jorge Macedo

Contatos apra shows:

5.12.11

Acervo Pará: Belém Cheia de Bossa (1999)


Belem Cheia de Bossa by SomdoNorte

O CD resultou de uma pesquisa de seus idealizadores Pedrinho Cavalléro e Nego Nelson, para destacar a produção paraense de bossa nova entre as décadas de 1960 e 1980.

Participaram da gravação, realizada no Rio de Janeiro, músicos como Ney Conceição, Wilson Meireles, Itamar Assieri, Gilson Peranzzetta e Roberto Menescal. Os arranjos são de Pedrinho Cavalléro, Marco André, Humberto Araújo e Nêgo Nelson, com direção musical de Pedrinho Cavalléro e Marco André. A cantora Alba Maria na época ainda assinava Albinha.

Autores das faixas:

1 Pedrinho Cavalléro e Jorge Andrade
2 Vital Lima e Hermínio Bello de Carvalho
3 Guilherme Coutinho
4 e 12 Nêgo Nelson
5 Maria Lídia
6 Almirzinho Gabriel
7 Zeca de Campos Ribeiro
8 Marco André
9 Pedrinho Cavalléro, Maca Maneschy e Cássio Lobato
10 Galdino Pimenta e Paulo Sérgio Valle
11 Maria Lídia e Renata Pantoja
13 Reginaldo Cunha
14 Chico Sena

3.11.11

Disco do Mês: CD Som do Norte 2011


Em dezembro de 2009, realizamos uma votação para escolha da Música do Ano, que repercutiu muito e resultou na eleição de "Lembranças de um dia", da banda roraimense AltF4. No ano passado, pensamos em outra forma de criar uma mobilização em torno da música nortista e lançamos o concurso de "Clipe do Ano", cancelado porque a forma de votação utilizada (a contagem de visualizações no YouTube) se mostrou tecnicamente inviável.

Agora em 2011, pensamos noutro modo de ajudar a destacar a música nortista - o lançamento de um cd virtual para download, com músicas inscritas pelas próprias bandas. Eis aqui, portanto o CD Som do Norte 2011, com 14 faixas representando 5 estados do Norte. Acre e Rondônia não se inscreveram. Tocantins está representado pela Boddah Diciro, com "Angela Dust", um dos dois selecionados por mim, já que algumas inscrições não se confirmaram (uma banda foi excluída por ser de São Paulo, outra não mandou o áudio da canção inscrita, e uma terceira enviou uma gravação de baixa qualidade técnica). A outra selecionada direta vem do Pará: "Sei Lá", de Felipe Cordeiro, numa interpretação ao vivo da cantora Luê Soares.

As 14 faixas formam um painel variado da produção nortista do período 2010-2011, indo da toada ao metal, passando pelo reggae e, claro, muito rock. O disco abre com "Futuro Bom", cuja gravação a Jamrock concluiu no dia em que encerravam as inscrições (31 de outubro); estamos tendo, portanto, o privilégio de lançar esta música neste CD que comemora nossos 27 meses no ar.
CD SOM DO NORTE 2011
Coletânea – Lançamento comemorativo aos 27 meses do www.somdonorte.com.br
FAIXAS
1 – FUTURO BOM (Hugo Pereira - Hyago Moura) Jamrock (Boa Vista, RR) 2011



2 - NÃO SEI (Yuri Malcher - Ariel Andrade - Thiago "Amaral") SIM (Sinais Invertidos de um Mágico) (Belém, PA) 2011



3 - MAITÊ DANÇA (Leonardo Coelho de Souza) Leonardo Coelho de Souza (Belém, PA) 2011



4 - SEI LÁ (Felipe Cordeiro) Luê Soares ao vivo (Belém, PA) 2011



5 - EU SOU CABOCLO (Pelarga – J. Mendonça) J. Mendonça (Manaus, AM) 2010



6 - TECENDO O SOM (Alaídenegão) Alaídenegão (Manaus, AM) 2011



7 – ANGELA DUST (Boddah Diciro) Boddah Diciro (Palmas, TO) 2011



8 - A FUGA (Luã Akira) Superbad (Belém, PA) 2011



9 - TARDE DEMAIS (Augusto Máximo) Banda Genezis (Macapá, AP) 2011



10 - MEU PASTOR (Jaasias do Amaral de Souza) Heloim (Macapá, AP) 2010



11 - SERIAL KILLER (Michel Silva – Profetika) Banda Profetika (Macapá, AP) 2010



12 - DIA DO TREINAMENTO (Rulan Leão) Amatribo (Macapá, AP) 2010



13 - BLOODPATH (Emerson Costa – Robson Costa – Thiago Dantas – Ronaldo Costa) Marttyrium (Macapá, AP) 2010



14 - RR (Erik Lopes) A Trip to Forget Someone (Belém, PA) 2011



Formato - MP3 - 128 kbps - 44 KHz
Duração - 51:45
Lançamento virtual - 3.11.11

Download

2.11.11

Acervo Pará: 21 Anos - Pedrinho Cavalléro (2002)



21 ANOS
Pedrinho Cavalléro - 2002 (coletânea)

1 - Prato de Casa - 1981

2 - Bem te Vi

3 - Vereda

4 - Estrela da Manhã

5 - Sudário

6 - Pássaro Cantador - 1996 Download

7 - Bandeira - canta Walter Bandeira

8 - Apara com Esse Namoro - 1989 Download

9 - O Amor em Mim

10 - Cheiro de Bossa - 1999

11 - Essa Menina que Veio do Interior - 1993

12 - A Quem Importa - 1993

13 - Bazar Pechincha - 1996

14 - Daomé - 1996

15 - Merengo - 1996

16 - El Chifre - 1998

17 - Sem Distância - 1998

18 - A Primeira Canção - canta Andréa Pinheiro - 1998

19 - Pretexto - 1999

20 - Meninainha - canta Nilson Chaves - 2000

21 - Além dos Muros - canta Olivar Barreto - 2002

4.10.11

Disco do Mês: Esse Ruy é Minha Rua



Nosso Disco do Mês de outubro é Esse Ruy é Minha Rua, que o cantor paraense Olivar Barreto dedicou à obra do poeta, político, professor, advogado, escritor e letrista Ruy Barata (1920-1990). O disco reúne 13 músicas de Ruy Barata compostas com Edyr Proença, Galdino Penna, Saint-Clair du Baixo, Paes Loureiro, Kzam Gama e De Campos Ribeiro, além de parcerias com seu filho Paulo André Barata, com quem Ruy começou a compor, em 1967. Nove das canções gravadas eram inéditas em gravação, contribuindo desta maneira para que o público tenha acesso a uma parcela até então desconhecida da obra de Ruy Barata.

Olivar Barreto atua na música desde 1987. Estudou canto popular na Pró-Arte, no Rio de Janeiro, onde morou entre 1988 e 1993. Apaixonado por música brasileira desde a infância, já fez shows em homenagem a Noel Rosa, Cartola e Paulo André Barata. Residiu em Paris por alguns anos, tendo participado de show comemorativo ao Ano do Brasil na França, em 2005. Lançou seu primeiro CD, Olivar Barreto, em 2002, tendo várias participações em discos de outros artistas paraenses, como Maria Lídia, Felipe Cordeiro, Delcley Machado e Almino Henrique. Tem várias premiações em festivais, com destaque aos primeiros lugares no Festival de Ourém (PA) em 1995 e 2010, e outro primeiro lugar no festival de Porto Nacional (TO) em 1996. Em julho de 2011, obteve o 3º lugar no Festival de Marabá.


O CD foi lançado com dois shows: em Santarém (PA), em 25 de junho de 2011 (cartaz acima), data em que Ruy Barata completaria 91 anos; e em Belém, quatro dias depois.

Olivar Barreto no show do Teatro Margarida Schivasappa
- Belém, 29.6.11 (foto: Bruno Pellerin)

O disco encontra-se à venda em Belém nas Lojas Ná Figueredo, Fox Vídeo, Banca do Alvino (Praça da República) e Casa do Artesanato (Pólo São José Liberto).

***

Olivar Barreto lança disco dedicado a Ruy Barata
(texto de Fabio Gomes, especial para o Diário do Pará, publicado em 25.6.11)

Olivar Barreto assim justifica, em texto incluído no encarte do disco, sua iniciativa de dedicar seu segundo CD inteiramente à obra do poeta e compositor Ruy Barata (1920-90): “Esse Ruy é Minha Rua é uma consequência natural da minha relação com a MPB”.

Nesta relação, os caminhos do cantor já haviam cruzado anteriormente com os da família Barata. Em 1996, Olivar cantou no show comemorativo aos 50 anos do filho de Ruy, Paulo André, que foi um dos compositores gravados no CD Olivar Barreto, lançado em 2002. Já em 2008, Olivar participou do show Dois Rios, em que Paulo André dividiu o palco com a cantora e compositora Maria Lídia.

As parcerias com Paulo André constituem a parcela mais conhecida da obra musical de Ruy Barata, principalmente em função de canções da dupla terem sido gravadas nos primeiros cinco discos de Fafá de Belém. Além de a cantora escolher “Banho de Cheiro” para título de seu LP de 1978 (que trazia ainda “Noturna” e “Baiúca’s Bar”), Fafá apresentou ao Brasil “Induaê-Tupã” e “Esse Rio é Minha Rua” (no LP Tamba-Tajá, de 1976), “Pauapixuna” e “Foi Assim” (em Água, 1977), “Pacará” (em Estrela Radiante, 1979) e “Ítaca” (em Crença, 1980).

De todas estas, afora a clara referência a “Esse Rio é Minha Rua” no título que escolheu para o CD, Olivar resgatou apenas “Pacará”. Isto porque sua intenção, desde que se decidiu a mergulhar na obra de Ruy Barata, foi ampliar o conhecimento do trabalho do homenageado junto ao público. “Sessenta por cento das músicas incluídas eram inéditas”, comemora o intérprete. Foram selecionadas três parcerias com Paulo André - a já citada “Pacará”, “Porto Caribe” (conhecida pelo verso “Eu sou de um país que se chama Pará”) e “Ana Ortiz y Castellar”, cujo arranjo foi escrito pelo próprio Paulo André, o único arranjador que não participou da gravação de “Esse Ruy é Minha Rua”.

Paulo André Barata, Olivar Barreto, Andréa Pinheiro e Galdino Penna
- bastidores do show de Belém, 29.6.11
(foto: Bruno Pellerin)

Nas doze faixas restantes, sempre há a presença como instrumentista de quem escreveu o arranjo – a lista inclui o violonista Floriano e os baixistas Minni Paulo Medeiros, Adelbert Carneiro e Kzam Gama. A este coube escrever os arranjos de três faixas, duas delas parcerias suas com Ruy: “Saudade da Maria” e “Deus” (nesta, Olivar teve a acompanhá-lo apenas o baixo de Ney Conceição, co-autor do arranjo com Kzam). A terceira é “Leva Esta Saudade”, que Ruy compôs com Edyr Proença.

O jornalista Edgar Augusto, filho de Edyr Proença, conta que o processo de criação desta canção foi atípico: Ruy chegou à casa do parceiro, vindo do Bar do Parque, tendo escrito num guardanapo o refrão (“Leva esta saudade do meu peito/ Que com a sede eu me entendo/ E com a fome eu me ajeito”). Edyr musicou o refrão e seguiu escrevendo a melodia e os versos das estrofes seguintes, com a aprovação de Ruy. No restante de sua obra, ele geralmente recebia a melodia dos parceiros para colocar os versos, ou então entregava uma letra pronta para ser musicada. A exceção ocorria apenas na parceria com Paulo André.

Foi ao lado do filho, então, um jovem músico em início de carreira, que Ruy começou a compor, em 1967. Diversas vezes Ruy e Paulo André escreviam juntos, e o processo podia iniciar com o filho apresentando um esboço de melodia para o pai letrar, ou Ruy mostrando a Paulo André alguns versos a serem musicados. Depois, ambos seguiam trabalhando conjuntamente até ficarem plenamente satisfeitos com o resultado final.


ESSE RUY É MINHA RUA
Olivar Barreto - 2011

1 - Ana Ortiz y Castellar (Paulo André Barata - Ruy Barata)

2 - Urgente (Galdino Penna - Ruy Barata)

3 - Saudade da Maria (Kzam Gama - Ruy Barata)

4 - Canção Antiga (De Campos Ribeiro - Ruy Barata)

5 - Pacará (Paulo André Barata - Ruy Barata)

6 - Vim (Edyr Proença - Ruy Barata)

7 - Deus (Kzam Gama - Ruy Barata)

8 - Sete Fitas (Galdino Penna - Ruy Barata - Paes Loureiro)

9 - Cabral 1500 (Saint-Clair Du Baixo - Ruy Barata)

10 - Anjo Torto (Edyr Proença - Ruy Barata)

11 - Leva Esta Saudade (Edyr Proença - Ruy Barata)

12 - O Vento e a Viagem (Galdino Penna - Ruy Barata)

13 - Porto Caribe (Paulo André Barata - Ruy Barata)

FICHA TÉCNICA

Pesquisa de Repertório/ Idealização do CD - Olivar Barreto
Estúdio de Gravação - APCE Music
Técnicos de Gravação - Assis Figueiredo/ Ulisses Moreira
Mixagem/ Masterização Digital - Assis Figueiredo
Supervisão Técnica - Fernando Rocha
Fotografia - Bruno Pellerin
Foto de Ruy Barata - Arquivo de Família
Tratamento da Foto de Ruy Barata - Andréa Pinheiro
Capa do CD - Junior Lopes
Consultoria de Textos - Clemente Schwartz / Dand M / João Renato Mendonça
Projeto Gráfico - Maria Lidia/ Olivar Barreto
Produção Executiva - Márcia Freitas
Produção/ Direção Musical - Maria Lidia

Ruy Barata

MÚSICOS

Paulo André Barata - arranjo 1
Tynnôko Costa - piano e cordas 1
Figueiredo Jr. - violão 1, 3, 10, 11
Adelbert Carneiro - baixo 1, 5, 8, 13 / baixo acústico 2, 9, 10, 12 / arranjo 5, 8, 10, 13
Edvaldo Cavalcante - bateria 1, 2, 3, 4, 5, 6, 11, 12, 13
Bruno Mendes - percussão 1, 2, 3, 10, 11, 12
Daniel Delatuche - flugelhorn 1, 2, 4, 6 / trompete 3, 4, 11
Arthur Alves - cello 1, 10
Floriano - arranjo e violão 2, 9, 12
Edgar Matos - piano 2, 3, 4, 6, 9, 12, 13 / teclados 5, 11
Esdras de Souza - flauta 2, 4, 5, 6, 8, 12, 13 /sax tenor 3, 4, 6, 11, 13 / sax soprano 12
Kzam Gama - arranjo 3, 7, 11 / baixo 3, 11
Maria Lidia - arranjo de metais 3, 11
Jó Ribeiro - trombone 3, 11, 13
Minni Paulo Medeiros - arranjo e baixo acústico 4, 6
Gileno Foinquinos - guitarra 5
Márcio Jardim - percussão 5
Aíla / Daniel Araújo / Maria Lidia / Olivar Barreto / Suelene - vocal 5, 8
Ney Conceição - arranjo e baixo 7
Diego Xavier - banjo e violão 8/ bandolim 8, 9
Trio Manari - percussão 8
Samuca - acordeom 9
Marcus Guedes - 1º violino 10
Kalie Akel - 2º violino 10
Rodrigo Santana - viola 10
Davi Amorim - guitarra 13
João Paulo Pires - percussão 13
Eser de Souza - trompete 13

Olivar Barreto gravando o CD no APCE Music (Belém)
(Foto: Bruno Pellerin)

5.9.11

Disco do Mês: Tambores do Meio do Mundo


O Disco do Mês de setembro do Som do Norte, que comemora o nosso 25º mês no ar, é Tambores do Meio do Mundo, o segundo lançamento do grupo amapaense Senzalas.


O Senzalas foi criado em 1997 pelos amapaenses Amadeu Cavalcante, Val Milhomem e Zé Miguel e pelo paraense, radicado em Macapá, Joãozinho Gomes. Ainda como quarteto, o grupo gravou o CD Dança das Senzalas. Em 2001, Zé Miguel afastou-se para seguir carreira solo; atualmente, é Secretário da Cultura do Estado do Amapá.

O Senzalas é a síntese da inovação a partir dos ritmos e tradições folclóricas do Amapá. A ponte mais sólida entre o velho e o novo som. Uma simbiose dançante, exuberante e envolvente de cultura e tradição com beleza e criatividade. Suas fusões passam pelo reggae, o zouk, o funk e o carimbó. As canções do Senzalas fazem o povo da Amazônia enxergar sua própria identidade.

Amadeu Cavalcante, Val Milhomem e Joãozinho Gomes

Amadeu, Val e Joãozinho carregam no peito corações-tambores, batucando as dores dos antepassados, seu arrastar de correntes nas noites escuras da escravidão, sua luz de esperança nos dias de liberdade que ainda virão. Trafegam pelas ruas da euforia, dos encontros nas esquinas, dos namoros nos bancos das praças, da memória inocente daqueles que acendem as velas para a novena do santo, enquanto chacoalham as saias rodadas, floridas feito borboletas encantadas em volta do fogo que aquece a pele dos tambores.

Em 1999 o grupo lotou o Canecão (Rio de Janeiro), com sua primeira apresentação fora do Amapá. Em seguida, tocou no SESC Pompéia e fez o circuito Balaio Brasil nos palcos do SESC Interlagos e SESC Itaquera, todos em São Paulo. O CD Dança das Senzalas foi lançado na Europa em 2000 pela Agência Tupirama Music, que tem sede em Hamburgo (Alemanha). No mesmo ano o grupo se apresentou no Teatro das Culturas do Mundo, em Berlim. Sua canção "Barco Negreiro" (Val Milhomem - Joãozinho Gomes) foi finalista do Festival A Nova Música do Brasil, da TV Cultura (São Paulo), em 2005. No seguinte, o trio cantou na Marina da Glória (Rio de janeiro), junto com várias atrações nacionais, em show comemorativo ao aniversário da Eletrobrás.

Senzalas com Chico César - 2008

Tambores do Meio do Mundo já está pronto há algum tempo, inclusive com boa execução nas rádios do Amapá. Em 27 de novembro de 2008, o Senzalas interpretou músicas deste disco no show que fez ao lado de Chico César, abrindo a programação da segunda semana do Amapá em Cantos, no SESC Ipiranga (São Paulo). O próprio nome "Tambores do Meio do Mundo" já é usado há bem mais tempo pelo Senzalas. Em 1º de dezembro de 2003, o Diário do Amapá noticiou que na véspera este projeto voltara a ser realizado pelo grupo no CCN (Centro de Cultura Negra) de Macapá, e que iria ter novas apresentações todas as sextas. O CD já se encontra à venda em Macapá, na Banca do Dorimar.

Amadeu Cavalcante lançou três discos solo - Sentinela Nortente (1989), Estrela do Cabo Norte (1991) e Tarumã (1996). Em 1995, participou, ao lado de Val Milhomem, Zé Miguel e Osmar Júnior, da coletânea do Movimento Costa Norte. Val Milhomem lançou os CDs Formigueiro (solo, 1992), Planeta Amapari (com Zé Miguel e Joãozinho Gomes) e Constelação de Parentes (2008, com Joãozinho Gomes). Joãozinho Gomes, natural de Belém, mora no Amapá desde 1991. Além de participar dos CDs já citados, lançou em 2009 Amazônica Elegância, com Enrico Di Micelli, que foi nosso primeiro Disco do Mês em dezembro de 2009, e onde você ouve outra versão de "Mandala a Mandela".

SENZALAS
Tambores do Meio do Mundo - 2011

1 - Ao Mano Humano (Zé Miguel - Joãozinho Gomes)

2 - Flor Negra (Nilson Chaves - Joãozinho Gomes)



Trecho de "Flor Negra" no verso de uma camiseta
criada por Tica Lemos

3 - Dê-me Mama (Zé Miguel - Joãozinho Gomes)

4 - Cadê Você (Val Milhomem - Joãozinho Gomes) canta Joãozinho Gomes

5 - Deusa Nagô (Amadeu Cavalcante - Val Milhomem) canta Amadeu Cavalcante

6 - Grande Bem (Val Milhomem - Joãozinho Gomes) canta Val Milhomem

7 - Gentil Aspereza (Amadeu Cavalcante - Joãozinho Gomes) cantam Amadeu Cavalcante e Joãozinho Gomes

8 - Bacabeira (Enrico Di Micelli - Joãozinho Gomes)



Parte da letra de "Bacabeira" está nesta camisa
que homenageia o CD, criada por Tica Lemos

9 - Lady Celi (Val Milhomem - Joãozinho Gomes) cantam Amadeu Cavalcante e Val Milhomem

10 - Oração ao Rio (Amadeu Cavalcante - Joãozinho Gomes) canta Amadeu Cavalcante

11 - São Benedito (Zé Miguel - Joãozinho Gomes) participação especial: Eudes Fraga

12 - Mandala a Mandela (Enrico Di Micelli - Cléverson Baía - Joãozinho Gomes)

13 - Obá! (Val Milhomem - Joãozinho Gomes) cantam Val Milhomem e Joãozinho Gomes


14 - O Batuque (Amadeu Cavalcante - Joãozinho Gomes)



FICHA TÉCNICA

MÚSICOS

Bateria - Edvaldo Cavalcante
Baixo - Adelbert Carneiro
Teclado - Edgar Matos
Violão aço e nylon / guitarra solo - Davi Amorim
Guitarra base - Miquéias Reis
Percussão - Nena Silva, Adelson Preto e Trio Manari
Violoncelo - Arthur Alves
Sax - Esdras Souza
Trompete - Daniel Delatuche
Trombone - Jó

Direção de voz - Eudes Fraga
Produção e arranjos - Senzalas

Gravado em Belém do Pará, no Studio Apce Music, por Júlio César e Marquinho Cabral, e no Studio Midas por Carlão; em Macapá - AP, no Studio Tarumã por Jorge Luiz
Mixado em São Paulo, no Studio Mega, por Guilherme Reis
Masterizado em São Paulo, no Studio Classic Master, por Carlos Freitas

Foto: Drika Bourquim
Capa e projeto gráfico: Wlad Pieroni

A identidade visual do CD Tambores do Meio do Mundo é resultado de pesquisa realizada no livro O Legado das Civilizações MARACÁ e CUNANI - O Amapá Revelando sua Identidade

Contatos:
(96) 9132-2016 / (96) 9126-6262 / (96) 8803-5188 / (11) 8181-1005
www.myspace.com/senzalas

2.9.11

Acervo Pará: Banquete - Felipe Cordeiro (2009)


1 - Karina Ninni (SP) - Banquete (Felipe Cordeiro)



2 - Karina Ninni (SP) - Essa Cidade (Floriano/Felipe Cordeiro)




Juliana Sinimbú canta "Essa Cidade" com Felipe Cordeiro (violão) /
Delcley Machado (guitarra) / Márcio Jardim (percussão) -
Programa Armazém Belém - SBT Pará - 23.8.07

3 - Arthur Nogueira – Desfigurado (Manoel Cordeiro/Felipe Cordeiro)



4 - Olivar Barreto – Na Paisagem (Floriano/Felipe Cordeiro/Jorge Andrade)



5 - Karina Ninni (SP) - Tambor Moderno (Felipe Cordeiro)



6 - Andréia Pinheiro - O que em mim sente (Leandro Dias/Felipe Cordeiro)



7 - Mel Ribeiro e Renato Torres - Cicatriz (Felipe Cordeiro/Renato Torres)



8 - Andréia Pinheiro - Obscena (Leandro Dias/Felipe Cordeiro)



9 - Angélica Costa - Um (Felipe Cordeiro/Marcelo Sirotheau/Joãozinho Gomes)



10 - Floriano - Testemunho (Felipe Cordeiro)



11 - Lívia Rodrigues - Sem Porquê (Leandro Dias/Felipe Cordeiro)



12 - Alba Maria - Emaranhado (Leandro Dias/Felipe Cordeiro)



13 - Vital Lima - Mar Memória (Vital Lima/Felipe Cordeiro)



14 - Patrícia Bastos (AP)- Relicário (Leandro Dias/Felipe Cordeiro)

  • A faixa 14 foi gravada em Belo Horizonte, para o CD Sobre Tudo (2008), de Patrícia Bastos.
  • Nas outras faixas, Felipe Cordeiro fez o arranjo da 3, 8, 9 e 13; é co-arranjador, ao lado de Pedrinho Callado, das faixas 1 e 5. Também tocou violão nas faixas 1, 3, 5, 8, 9 e 13.

6.8.11

Disco do Mês: Uirapuru Chama Verequete


Ao pensar qual poderia ser nosso Disco do Mês de agosto, eu tinha em mente que teria que ser algo muito especial, afinal comemoramos no dia 3 o segundo aniversário do blog Som do Norte. A escolha naturalmente se encaminhou para o CD Uirapuru Chama Verequete, lançado pela Ná Music no mês passado. Desta forma, primeiramente saldamos uma dívida com nossos leitores, pois até agora nunca havíamos tido um CD de carimbó como Disco do Mês. Mas, principalmente, homenageamos o mestre Verequete, o maior nome do carimbó, no mês em que ele completaria 95 anos (foi em 26 de agosto de 1916 que Verequete, batizado Augusto Gomes Rodrigues, nasceu em Bragança, PA). "Muito especial" talvez seja pouco para definir este CD, que mostra como a partir de uma dificuldade (quase impossibilidade) é possível construir algo muito belo. Comecemos do começo.

A ligação do Uirapuru com Verequete vem de muito tempo, mais precisamente da década de 1970, quando o grupo foi criado pelo mestre em Icoaraci (distrito de Belém) para acompanhá-lo. Foram inúmeros shows e vários discos (o primeiro, O Legítimo Carimbó, cuja capa vemos abaixo, saiu em 1974 pela gravadora CID. Depois houve mais dois com este nome; o Vol. 2 é de 1975 e o Vol. 3 de 1976). Entre os músicos do grupo, estava Curica, que se tornou o principal arranjador dos discos de Verequete, figurando hoje entre os grandes nomes do carimbó, ao lado de Pinduca e de Mestre Lucindo, além do próprio Verequete, logicamente. (Mais recentemente, Curica integrou o grupo Mestres da Guitarrada, de 2003 a 2008, ano em que fundou o Guitarradas do Pará).

Em 2008, como o Uirapuru pretendia gravar novo disco, o convite a Verequete para participar do trabalho era mais do que natural. Sendo assim, num dia de maio daquele ano o mestre compareceu aos estúdios da Ná Music (Belém), gravando vozes-guia, para a partir delas se elaborar as bases do CD.

- A ideia do grupo Uirapuru era gravar um álbum com o Verequete cantando. Mas, depois do primeiro ensaio, onde ele gravou o guia de cinco músicas que iriam compor o CD, Verequete ficou doente e não conseguiu mais retornar ao estúdio. Então, o projeto do álbum ficou de lado - esclareceu Ná Figueredo, proprietário do selo Ná Music, ao Amazônia Jornal, em matéria publicada em 4 de julho deste ano.

As cinco músicas eram "Eu Nasci em Bragança", "O Ralador", "O Carimbó do Açaí", "Homenagem à Virgem" e "Nós Somos o Uirapuru" - as duas últimas totalmente inéditas. O filho de Verequete, Augusto Rodrigues, informou ao Amazônia que o pai nunca as cantara nem em show.

A morte de Verequete, em 3 de novembro de 2009, comoveu o Pará. Também levou o grupo Uirapuru e Ná Figueredo a pensar sobre o que fazer com o material, que se constitui no último registro feito pelo mestre do carimbó em vida. A opção adotada foi, sem dúvida, a mais acertada: fazer de fato o disco pretendido, acrescendo às cinco canções existente outras dez, sendo cinco de Manezinho do Sax e cinco de Cancan.

Primeiramente, houve um primoroso trabalho de edição, executado por Tiago Albuquerque, para integrar a voz do mestre com o som gravado posteriormente pelo grupo (o resultado é surpreendente, principalmente no refrão estilo canto-e-respostade "O Ralador", voz principal e coro parecem ter sido gravados juntos). E, não menos emocionante que isso, o Uirapuru transformou o disco numa celebração a Verequete. Ele é homenageado em duas músicas de Cancan: "Ele é Homem Simples" (Ele é homem simples, não anda de paletó, por isso ele é raiz do famoso carimbó...) e "Homenagem ao Mestre" (Verequete, seus amigos nunca vão te deixar só, tu sabe, tu é lenda pura da vida do carimbó. Ó Verequete, vamos te homenagear, tu sabe que é o rei do carimbó do Pará...). Já Manezinho do Sax o invoca em "O Carimbó do Grupo" para, como se fosse num show, fazer a tradicional apresentação dos músicos (O mestre Verequete está botando pra quebrar, quando ele canta o carimbó todo mundo vem dançar. O mestre Verequete agora vai apresentar os componentes do grupo que vieram pra tocar). Lindas homenagens, simples, informais e sem nenhum tom lamentoso (como vêem, o grupo sempre se refere a Verequete como estando vivo - mais que isso, como se estivesse ali, sentado ao lado deles, no estúdio. E, de certa forma, estava). O restante do disco segue abordando o universo temático do mestre: o Ver-o-Peso, as rodas de carimbó, o Círio de Nazaré, o tucupi e o tacacá, as belezas de Belém, a farinha d'água...


O CD foi lançado pelo grupo Uirapuru em show no SESC Boulevard (Belém) em 14 de julho. O evento também teve a exibição do documentário Chama Verequete, de Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira.


Grupo Uirapuru, no show de lançamento do CD - 14.7.11

Uirapuru Chama Verequete está à venda em Belém nas lojas Ná Figueredo. Na internet, você encontra o disco no site OneRPM. É possível comprar o CD inteiro, ou faixa a faixa - duas delas, "Homenagem à Virgem" e "Alô Belém", estão disponíveis para download gratuito.




1 - Homenagem à Virgem

2 - Eu Vou Só

3 - Ele é Homem Simples

4 - Eu Nasci em Bragança

5 - Alô Belém

6 - Sustenta Minha Moçada

7 - O Carimbó do Açaí

8 - Retumbão

9 - Lembrando Minha Vó

10 - Nós Somos o Uirapuru

11 - O Carimbó do Ver-o-Peso

12 - Homenagem ao Mestre

13 - O Ralador

14 - O Carimbó do Grupo

15 - Teu Nome é Jenipaúba


FICHA TÉCNICA

Curimbós: Augusto Filho
Maracás: Cancan
Banjo: Hélio de Castro
Sax: Manezinho do Sax
Voz: Mestre Verequete e Cancan
Vocais: Cancan e Augusto Filho
Gravações: Jacob Franco e Tiago Albuquerque
Mixagem e masterização: Tiago Albuquerque
Projeto gráfico: Ná Figueredo

A voz do Mestre Verequete foi gravada como guia em um ensaio do Uirapuru no Estúdio da Na Music, o trabalho de edição para que o último canto do Mestre do carimbó em estúdio pudesse ser apreciado foi executado por Tiago Albuquerque.

As músicas 01, 04, 07, 10 e 13 são de autoria do Mestre Verequete
músicas 02, 05, 08, 11, 14 são de autoria de Manezinho do Sax
03, 06, 09, 12, 15 são de autoria de Cancan